Arquivo da categoria: Sem categoria

Fluxo e Visão: Parque D. PedroII – Sala Especial – Bienal Internacional de São Paulo, 1997

Arquitetura: Anne Marie Sumner

Equipe: Alexandre Serrano, Jackson Dualibi, Leopoldo Soares, Luciana Flores Martins, Marcos Martins Lopes, Cláudio Thomas Reuss

Cálculo Estrutural: Eng. Antonio Pinto Rodrigues, André Ventura Pinto, Evandro Trevelin, Kennya Nagasse, Marcela Costa Amorim, Maurício Montel, Nivaldo Godoy Jr., Ricardo Mullenmeister, Rodrigo Cristiano Queiroz, Maria Luíza Visoni

 

Maquetes: Andrade Maquetes

 

Agradecimentos: Gabriel Zellmeister, Base Aerofotogrametria e Projetos S.A., Embraesp

Patrocínio: Atlas / Villares

 

O projeto para o Parque D. Pedro II foi apresentado em conjunto com projeto para a Av. Paulista em Sala Especial -Fluxo e Visão – para a Bienal Internacional de São Paulo em 1997.

 

A idéia do Projeto era não apenas de conectar o alto e o baixo, o historicamente salubre e o insalubre da baixada do Carmo, antigo porto geral, mas também indicar um vetor de adensamento urbano a leste, o Brás, tão próximo ao marco zero. Os conectores – caixas translúcidas com circulação vertical de escadas rolantes, mecânicas e elevadores – ligam a 25 de março à Sé assim como ambos ao outro lado do rio.

Finalmente, a transposição de nível do alto do Páteo do Colégio para o baixo do Tamanduateí, além de confrontar a secular intransponibilidade entre 2 áreas centrais, propiciava, na passarela a 20 m de altura, a percepção da clivagem desta topografia.

Pavilhões Renault I e II – Exposição Rural Argentina, Buenos Aires

Anos de Projeto: 1992/1993

Anos de conclusão da obra: 1993/1994

 

Área do Terreno em Buenos Aires: 500 m²

Área Construída em Buenos Aires: 300 m²

 

 

Pavilhão Renault – SP

 

Ano de Projeto: 1992/1993

Ano de conclusão da obra: 1993

 

Área do Terreno em São Paulo: 504 m²

Área Construída em São Paulo: 673 m²

 

Arquitetura: Anne Marie Sumner

Equipe: Arq. Luciana Flores Martins, Arq. André Aaltonen, Arq. Yara Goulart, Arq. Alexandre Serrano

 

 

Feiras expositivas como a Exposição Rural Argentina em Buenos Aires ou o Salão do Automóvel em São Paulo primam pela dispersão do olhar devido à grande quantidade de imagens justapostas.

A idéia de projeto para os pavilhões da Renault era deter o olho que nestas situações não para de passar: Em Buenos Aires com as velas verticais ou a onda no alto; em São Paulo com a densidade da mancha amarela.

Pavilhão José Resende, Tremembé , SP 2003

Pavilhão para obras do escultor José Resende (edifício proposto) articulado com residência eventual para artistas visitantes.(em edificação existente)

 

Arquitetura: Anne Marie Sumner

Equipe:Carolina Moggi, Humberto Buso, Rosangela Silva

Estrutura: Aloizio Margarido

Pavilhão Costa da Lagoa, Florianópolis, SC, 2007-2008

A área acessível apenas de barco na Costa da Lagoa – o endereço era o ponto 14 – em Florianópolis constituía-se numa fatia de morro daquela encosta e o uso visava articular um instituto de pesquisas biológicas associado a residência. O maior desafio era a acentuada declividade do sítio associada a necessidade de instauração de um canteiro de obras, quase uma usina dada a complexidade logística envolvendo o transporte marítimo.

 

Arquitetura: Anne Marie Sumner

Colaborador: André Aaltonen

Concurso Habitar com o Ambiente: Parque Ecológico Guarapiranga, SP, 1994

Arquitetura: Anne Marie Sumner

Equipe: Denise Xavier de Mendonça, Franciso Leopoldo Soares, Sophia da Silva Telles, Sakae Ishii, Carlos Alberto Monteiro de Andrade, Richard Sumner, Marcia Guilherme

 

Memorial:

 

O Parque do Guarapiranga é urbano por definição. O que se pergunta é se deve ser uma reserva natural ou um parque de diversões. Nem uma coisa nem outra. A intervenção humana não é necessariamente devastadora;

A ação humana não constrói, necessariamente, equipamentos;

A arquitetura é que cria a faz ver uma paisagem;

O partido torna a diversidade das situações existentes – alagado, relevo suave descampado, encosta, mata densa e água – e o projeto desenha o percurso do olho. As intervenções no parque são o próprio parque.

Não se trata, portanto de um projeto paisagístico que recebe as edificações como coisas opostas. Ao contrário, os usos destas edificações são o parque, na sua dimensão mais plena, porque fazem ver a paisagem e são a própria paisagem.

 

1. Várzea Inundada: anéis flutuantes de 5m de largura, 60m de diâmetro e espessura mínima – evidenciam a cota rasante da água.

2. Represa: trapiches flutuantes de 20m de largura por até 300 de comprimento – é a dimensão urbana na água.

3. Escarpas: edificações-lâmina de um pavimento e comprimento variável entre 50 e 260m – desenham um limite horizontal sobre a encosta vertical.

4. Açudes: planos dágua no relevo acidentado, abrem clareiras na vegetação dessa – trazem a água para a cota mais alta.

5. Campo: cunhas de 15m de largura por 30 de comprimento que encontram em movimento ascendente as curvas de nível – fazem ver a conformação natural do relevo.

Plano de Referência de Intervenção e Ordenação Urbanistica para subsidiar a formulação de Lei para a Operação Urbana Carandirú-Vila Maria, São Paulo, SP 2004

CNEC+Vigliecca Arquitetos Associados.

Arq. Convidada: Anne Marie Sumner

A escala DESTA cidade, São Paulo (1)

 

Pensar a escala urbana sobre tudo na escala desta metrópole de São Paulo, era tanto para Hector quanto para mim, o desafio mais complexo ao qual não só não podíamos nos furtar, como tínhamos uma vontade imensa de enfrentar; e participar das operações urbanas era esta possibilidade.

 

No caso da operação urbana Carandirú-Vila Maria, que denominávamos simplesmente, Carandiru,(2) eram 200 milhões de metros quadrados para o qual teríamos que estar munidos de um fôlego que dava medo. A área era maior do que uma Manhattan.

 

Fizemos o trabalho com tempo exíguo para a abrangência e dificuldade da área e acho que indicamos algumas direções que ainda preliminares poderiam ser aprofundadas. O processo propositivo foi mais instigante do que os produtos finais que sofreram muitas alterações.

 

Ao impacto da diversidade e enormidade da área, o agravante era que, não bastasse a escala, era uma parte lateral da cidade. A pergunta correlata imediata é se nesta escala se perpetua a idéia de centro. E, então, como fazer, como se locomover por distancias tão enormes. Por que do outro lado de São Paulo estavam mais 200 milhões de metros quadrados além do centro e irradiações. Por absurdo, temos em São Paulo 1.500km2; contra 105 de Paris e 127 de Manhattan. Enfim, sendo parte e não centro de uma cidade, colocavam-se algumas questões; a mais evidente, como pensar a parte sem pensar o todo? conversa que retomei com Marco Tabet (3) onde nos dávamos conta da dificuldade de pensarmos esta escala até pela sua absoluta juventude: o que significa uma cidade-município com 10 milhões de habitantes e

1.500km2 ? Freqüentemente achava que estamos mais próximos da Cidade do México e Shanghai mas hoje tendo a achar que somos como as wastelands, grandes passagens-paragens contínuas. De qualquer modo, a apreensão seguinte, e disso nos convencemos, seria como pensá-la a partir da sua geografia, e esta foi a tônica do processo.

Do ponto de vista da cidade como um todo, a recorrência da defasagem infra estrutural dava, como continua dando, a medida da exigüidade do nosso contrato social. Aliás, quanto menor a infra estrutura em relação à mancha urbana de uma cidade, maior a sua insuficiência como sociedade civil. É o caso das cidades brasileiras em geral.

 

Nessa tônica, a infra estrutura constituía um substrato espacial, ético e intelectual, e o território era nosso horizonte (4). Isto posto, colocava-se a questão de como desenhar esta cidade, como marcá-la, como indicá-la, como apresentá-la, como apreendê-la, como vê-la.

 

Se a geografia se configura como vetor nas grandes escalas, no caso da área em questão parecia invisível. A idéia portanto era torná-la visível. Acho sempre que o melhor exercício da cidadania se dá – do ponto de vista da arquitetura – quando associamos infra estrutura e geografia; isto é, a apreensão visível da cidade.

 

Vendo o limite da várzea do Tietê no pé do morro ascendente da Cantareira com os 4 córregos que deságuam no Tietê, ficou evidente que melhor seria termos 1 leitura geográfica da cidade como 1 todo. Porque a geografia continua com suas variações hídricas e topográficas, enquanto que os limites das operações urbanas são basicamente administrativos.

 

operacao-urbana-carandiru-imagem-01

De qualquer modo, com esta apreensão do pé do morro e dos 4 rios, o quadro se esboçava (ver fig. 1). Os rios deveriam ser destampados e a várzea reposta através da proposição dos já clássicos parques lineares lindeiros a rios e córregos.

 

Do ponto de vista dos usos, como tratava-se de região de caráter metropolitano (5) era preciso dotar esta área de infra estrutura de transportes, tanto metrô como ônibus e automóvel. Para o metrô, havia já a hipótese de uma linha paralela à Marginal à meio caminho entre o pé do morro e o Rio Tietê. Naturalmente que ao longo deste subterrâneo aproveitamos a obra para criar, lindeira, estacionamentos lineares dos 2 lados para automóveis.

 

Ao longo do Tietê, a pergunta era como abordar a aridez rasa desta várzea, resultante não da condição de planície intrínseca às nossas várzeas, mas  do caráter inóspito e claustrofóbico das vias marginais coladas ao leito retificado? Propunha os morrotes de estacionamentos; ocos de 2 ou 3 pavimentos para cima devido ao lençol freático raso. Criavam-se ondulações de paisagem naquela aridez rasa, devolviam um pouco da permeabilidade do solo com sua capa vegetal e atendiam à demanda por estacionamentos intrínsecos aos usos da região. Para as áreas adjacentes, dado que a várzea se estende até praticamente o pé do morro, uma das idéias era pontuar esta região de baixíssima densidade, além de esgarçada, com edifícios de grande verticalidade e mínima projeção no solo. Ou seja, altos coeficientes de aproveitamento e baixíssimas taxas de ocupação. O lote naturalmente, para este partido, teria que ser re-equacionado, a estrutura fundiária teria que ser revista; a isso Hector sempre dizia: “ Anne quer a terra arrasada”… Talvez. Mas, terra arrasada ou não, estas ações abordavam aquele território técnica e esteticamente. Equacionava-se os fluxos articulados à técnica e à paisagem (6). De fat, tratava-se menos de terra arrasada e mais pensar a cidade com a geografia, neste caso, na várzea.

 

Do outro lado, na foz do Tamanduateí (7), tínhamos uma área potencialmente de excelência por ser tão próximo ao centro e pela situação de junção dos rios.

 

Por uma divisão de trabalho, acabei me concentrando mais nesta área e acho que a 1a.hipótese era a mais potente e por isso a re-enuncio (ver figs.2,3).

 

Acentuamos a conexão dos rios, inundamos a várzea numa espécie de pequena Veneza e abrimos um enorme canal, larguíssimo paralelo à Av. Prestes Maia. Havia lá um novo percurso para as antigas e populares regatas.

 

Figura 2

Figura 2

 

Figura 3

Figura 3

 

Nesta hipótese, as 5 torres de 40 pavimentos de escritórios e habitação, o centro de espetáculos e o colégio de grande porte , localizavam-se para lá da Av. Prestes Maia, adjacente à Estação Armênia. Era a grande raia com largura de 50m, paralela à Prestes Maia que separava as torres da Escola e Centro de Espetáculos, ambos com acesso fácil pelo metrô. Naturalmente haveriam conexões entre as torres e estas através de leves e rasas passagens em nível entre uma área e outra. Afinal, a existência dos lotes públicos em oposição às desapropriações exigidas com esta proposta acabaram transladando os projetos para a área diretamente vizinha à Favela do Gato e em detrimento dos canais. Ficou na imaginação a volta das regatas num percurso entre o Tietê, a grande raia e a pequena Veneza.

 

De modo geral, a reflexão que ao menos se colocou valeu como estopim, imagino, mesmo que ainda restritas às nossas consciências e traços para outro entendimento da cidade. São projetos de grande envergadura e que naturalmente devem ser desenvolvidos com a máxima calma. Para as operações urbanas em curso, inclusive esta, alia jacta est.

 

 

 

 

(1) Este texto foi escrito para o livro de Hector Vigliecca, a propósito da nossa participação junto com o CNEC na Operação Urbana Vila Maria-Campo de Marte contratada pela SEMPLA em 2004. A equipe de arquitetura foi composta por Hector Vigliecca, Ruben Otero, Luciene Quel e por mim.

(2) A área começava na Vila Maria, percorria a Vila Guilherme, o Carandiru e entorno, a área do Anhembi, Santana, chegava ao Campo de Marte e atravessava o Rio Tietê englobando a foz do Tamanduateí até as adjacências da Ponte da Bandeira e Estação Armênia.

(3) Há 25 anos quando ainda estávamos na Escola, São Paulo tinha ainda uma escala consideravelmente palatável. O seu crescimento aceleradíssimo deslocou qualquer prognóstico , donde a dificuldade de mapeá-la. Meio americana e meio francesa, ficamos numa encruzilhada entre o boulevard e Los Angeles.

(4) Parafraseando Milton Santos, “o nosso quadro de vida”. Santos, Milton. O Retorno ao Território

In Território: Globalização e Fragmentação , 4a. edição, Hucitec, São Paulo, 1998, p. 15.

(5) Dada a presença dos grandes centros de exposições nacionais e internacionais, Campo de Marte, Terminal Rodoviário Tietê e de áreas esgarçadas com uso pouco definido como a Vila Guilherme justaposta ao bairro singelo da Vila Maria – embora com o maior índice de homicídios da região.

(6) As ações, ao longo do metrô aproveitavam 1 circunstância técnica de obra; nos morrotes, atendia-se à necessária demanda de autos resolvendo esteticamente uma questão técnica e de paisagem; os edifícios em grande altura junto com a capa vegetal dos morrotes devolviam em parte a permeabilidade do solo.

(7) Envolvendo parte do entorno da Favela do Gato, o Clube de Regatas Tietê, Ponte da Bandeira e Estação Armênia.

 

Opacidade e Situação– Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, 1993

Prêmio: Destaque pelo Conjunto da Obra

 

Arquitetura: Anne Marie Sumner

Equipe: Alexandre Serrano, André Aaltonen, Luciana Flores Martins, Yara Goulart

Fotografia: Nelson Kon

 

 

O Projeto apresentado para a Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo em 1993 foi iniciado por ocasião do convite feito pelo Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro a 20 arquitetos de São Paulo e Rio de Janeiro para apresentarem projetos e/ou obras existentes a serem expostos no MAM-RJ ou desenvolverem de forma livre projetos prospectivos para a mesma exposição. Nossa opção foi pela prospecção urbana donde a reflexão sobre a metrópole de São Paulo no que refere a suas grandes escalas justapostas aos vazios urbanos. Envolve os entremeios de sistemas viários, viadutos, rios e córregos, redes de trens e metro na aridez desta geografia urbana.

 

Nessa reflexão, não há oposição à paisagem seja ela construída ou natural. Tampouco uma vontade de integração a ela. Nem tão simplesmente um evidenciar da paisagem. Trata-se de um campo comum onde um supõe o outro. Deserto, muro, telas e lâminas detêm o olho que não para de passar.

Os projetos propriamente partem de quatro áreas totalmente distintas da cidade de São Paulo associadas a esta reflexão:

 

Deserto-Viaduto Aricanduva

 

Evidência extrema da cidade contemporânea como ligação de pontos, cicatriz urbana – pura engenharia de tráfego. O não lugar. Na areia, a mais abstrata de todas as naturezas, aquela que muda com a ação do vento, se desloca continuamente, uma não fixidez. Ao mesmo tempo sistema pleno, infinito. O que não tem norma e a norma absoluta.

 

Muro-Parque Dom PedroII

 

No alto o máximo de centralidade, concentração verticalizada. No baixo, esgarçamento, rarefação. O muro vazado – micáceo, altura 10m e comprimento serial – na planície baixa do rio é o que permite entrever a cidade e sua base, ambas no edifício que dissolve qualquer horizonte. Da planície esgarçada, o muro é protagonista próximo que vê o outro, seu semelhante, a muralha da cidade. Do alto, em situação invertida, aquilo que era protagonista é fato distante, também esgarçado quando nosso referencial é o centro que agora nos contém.

 

 

 

Telas-Translucidez/ Fim da Marginal Pinheiros

 

A estação de energia constitui uma espécie de autonomia bizarra. As torres têm um movimento que atende apenas a uma trajetória de lógica própria. Constituem uma espécie de véu. Área esgarçada, variante de rio, mudança de sistema viário, as 10 telas repõe de modo sucessivo e cada vez mais opaco esta situação. Obstaculizam nossa visão por translucidez.

 

Lâminas-Reflexão-/Rod. Dos Trabalhadores (Ayrton Senna) /Rio Tietê km 15

 

Situação dupla, noturna e diurna. À noite a paisagem como imagem duplicada, as luzes do casario e seu reflexo na água. De dia também imagem duplicada é o próprio casario que reflete na água. Duas lâminas de aço horizontais rasas sobre a cota rasa da água. De noite reflexão, de dia ofuscamento.

Mar de Morros – Bienal de São Paulo, 2001

Arquitetura: Anne Marie Sumner

Equipe: Carolina Moggi, Flavio Tuma

Estrutura: Pedro Telecki

Fotografia: Felipe Hellmeister

 

Publicação: Rede de tensão Bienal 50 anos, maio a julho de 2001. São Paulo, SP, catálogo da exposição no pavilhão da Bienal.

 

Por ocasião da comemoração dos 50 anos da Bienal de São Paulo foram apresentados os trabalhos de 34 (entre grupos e indivíduos) artistas, arquitetos e designers. O Mar de Morros é uma topografia e basicamente uma reflexão sobre a paisagem e o território.

Desenvolvido com sarrafos de madeira contou com um comprimento de aproximadamente 35 m, largura variável, de 5m a 70 cm e uma altura, também variável que chega no seu ponto mais alto a 1,5m.

Nesta metrópole de invisibilidade e congestão, a ideia é que a cidade seja apreendida e percebida como lugar geográfico e que as questões infra estruturais, sempre que obras espaciais articuladas à arquitetura e de uso público, sejam pensadas junto com a topografia e suas visadas: além da infra estrutura, vital a percepção da paisagem.

Ligação Leste-Oeste de São Paulo: apresentado para o Prêmio Prestes Maia, 2006

Autores: Arqs. Anne Marie Sumner, Vera Santana Luz, Hector Vigliecca, Tito Lívio Frascino, Flávio Marcondes

Consultores: Eng. Renato Zuccolo (águas), Eng. Cláudio Macedo/SISTRAN (transportes), Agrimensor Irineu Idoeta (zoneamento/aerofotogrametria)

Interlocutores: Arqs. José Paulo de Bem, Angélica Alvim, Luiz Guilherme R. de Castro

Equipe:Arqs. Ronald Werner Fiedler, Gabriel Farias, Pablo Rosenberg e Carla Fonseca, Daniela Pochetto, Juliana Kayakama, Lina Idoeta, João Paulo Payar, Luciana Benfati, Rafael Brich, Miguel Muralha, Sérgio Zancopé Jr, André Villas Boas, Roberto Ferri

Fotografia: Arq. Chien Chia Chin

 

Agradecimentos: Profa. Dra Nadia Somekh (Diretora da FAU-Mackenzie à época da constituição do EEP) Prof. Carlos Alonso, Arq. Abílio Guerra, Sr. Fernando Alves, Emílio H. Rohr, Paulo Peredo, Arq. Mirtes Luciani, Eng. Ivan Idoeta, Alessandra Mak.

 

Memorial:

A ideia de constituição de um Escritório Experimental de Projetos na FAUMACK era tributária da interface entre Universidade e Sociedade instância na qual a Universidade, campo de excelência da produção e invenção do conhecimento, propõe ações de potencialização das relações em sociedade, no nosso caso na esfera das cidades e seus equipamentos. A constituição do EEP-FAUMACK, portanto apresentava-se como consequência natural, sobretudo no momento em que o Mackenzie iniciava o seu processo de constituição plena como Universidade latu sensu.

As entrevistas e colóquios publicados faziam parte do processo de reflexão para a estruturação deste Escritório e o projeto para o Prêmio Prestes Maia 2006 foi a primeira ação efetiva do mesmo.

A ideia do Projeto é a de uma dupla reposição, da história e da geografia, associada à resolução dos fluxos da ligação leste-oeste de São Paulo consequente ao desmonte do Elevado Costa e Silva, o minhocão.

 

A Expressa de Autos

 

Outrora as antigas linhas ferroviárias Central do Brasil, Sorocaba e Santos-Jundiaí corriam passando por São Paulo no mesmo leito com largura considerável justamente para comportar predominantemente o fluxo de carga. Dado que este leito está hoje subutilizado, propomos que tal leito abarque, além dos trens de passageiros, um binário expresso de autos e ônibus.

Esta expressa, em substituição à atual Radial Leste (Radial esta que permanecerá no seu leito, mas não no seu fluxo, diminuído em 60%) bifurca da Radial a partir da Estação Belém e ao longo dos trilhos segue até o Páteo da Lapa.

 

O Canal e os Lagos

 

Propomos ainda, lindeiro aos trilhos, um canal articulado com alguns lagos – no antigo Porto de Areia – e córregos destampados sempre que possível, que funcionaria como reserva-dreno das águas que vem do espigão. A ideia é que este canal freie a velocidade das águas, reservando-as em lagos e canais articulados e finalmente, lentamente desague-os no Tietê. A península resultante inicia-se na foz do Tamanduateí, extende-se até a Lapa e é ladeada pelo Rio Tietê. Esta península deverá tornar-se uma área de excelência urbana não só pela diversidade de usos e grande oferta infraestrutural, mas também pela nova paisagem criada pelas águas.

Iluminação São Paulo, 1995

Arquitetura: Anne Marie Sumner

Equipe: Arqs. Luciana Flores Martins, André Aaltonen

Fotografia: Roberto Seton, Ioran Fingerman

Assessoria Técnica: Cia de Iluminação/Carlos Bertolucci

Cálculo Estrutural: Heloisa Maringoni

 

Convidados a pensar uma iluminação pública natalina em 52 pontos em São Paulo entendemos que parte considerável de tal iluminação é realizada pelos logistas e deste modo escolhemos apenas 5 áreas da cidade que consideramos emblemáticas: Av. Paulista, Av. São Luiz, Av. Henrique Schaumann, Av. Faria Lima e Anhangabaú.

Av. Paulista-300 anéis de luz suspensos por um cabeamento pênsil entre os postes de iluminação existentes no canteiro central ao longo dos 2.300m da avenida. Os anéis tinham diâmetro externo de 2m, interno de 1,25m (lona plástica e tela soldada) espaçamento de 7,5m.

Av. Henrique Schaumann-3 grandes lâminas horizontais de 100mde comprimento por7,5m de largura em 3 níveis distintos evidenciando a variação topográfica de 12m da avenida.

São Luiz- 45 agulhas de luz (tela soldada), percorrendo o boulevard na escala do pedestre e atravessando para a Praça da Biblioteca

Av.Faria Lima- Percurso helicoidal de 3 linhas de luz envolvendo tubo de tela soldada, diâmetro 2m, de 1300m ao longo da avenida. A fixação é análoga à da Av. Paulista.